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NACIONAL

BRASIL: Amazônia Petrobrás vai explorar Margem Equatorial: isso só vai ajudar acionistas imperialistas e aquecimento global

Por Leandro Lanfredi
Esquerda Diário
21 de Outubro de 2025

O Brasil está produzindo petróleo como nunca antes, e assim está aumentando nossa participação no aquecimento global. Em julho foram mais de 5 milhões de barris de óleo equivalente, mas só 61% disso era da Petrobras. Aumenta a produção, e o petróleo é cada vez menos nosso.

Aumentar ainda mais a produção, explorando a Margem Equatorial não se trata de nenhuma discussão verdadeira de soberania energética que nem tentam falar, já produzimos mais que o dobro do que consumimos, se trata é de exportar mais petróleo cru. A cada novo leilão de petróleo a porcentagem da Petrobrás é menor. E o governo Lula tem mais um leilão marcado para quarta-feira. Em dezembro tem outro. Seguem o entreguismo de Temer e Bolsonaro mesmo que em outro ritmo. No momento Lula está discutindo terras raras e outras entregas para satisfazer Trump e vamos leiloar mais petróleo. Não tem soberania nenhuma com leilões de petróleo, sem retomar cada empresa e unidade privatizada.

No último leilão da Bacia da Foz do Amazonas as empresas imperialistas obtiveram mais campos que a Petrobrás. A própria Petrobrás já tem 46% de suas ações em mãos estrangeiras. Produzir mais não tem nada a ver com gerar recursos para nosso país e na região e sim com enriquecer ainda mais os grandes acionistas privados, especialmente imperialistas.

Também não tem nada a ver com o discurso demagógico que a empresa e o governo tentam fazer de “geração de empregos”. A FIRJAN publicou estudo que mostra que as grandes plataformas do pre-sal no RJ geram cerca de 1mil empregos diretos e indiretos cada.Ou seja, um único grande centro de pesquisa, como o CENPES, gera mais empregos que umas 10 plataformas. Se a Petrobras realmente quisesse gerar empregos nas regiões nordeste e norte do país, e ela deveria fazer isso, há opções. Ela poderia fazer isso abrindo centros de pesquisa no Amapá, poderia estar expandindo a Petrobras Bio Combustivel, a PBIO, poderia retomar as FAFENs com mão de obra 100% própria, garantindo o direito de retorno aos próprios que foram transferidos. Assim, sem aumentar o saque de nosso país, sem aumentar o aquecimento global, tantos petroleiros nordestinos e nortistas poderiam trabalhar mais perto de suas famílias. Mas não, ao contrário, estão privatizando e terceirizando a PBIO e as FAFENs.

Não há nenhuma transição energética nas mãos dos capitalistas, dos governos e da Petrobrás. Ela só pode vir das mãos de nós trabalhadores. Precisamos conectar nossa luta por empregos e por direitos em todas regiões do país, a uma resposta aos problemas mundiais. Um programa que diga não a expansão da produção a serviço do capital, pelo fim dos leilões, pela retomada do monopólio estatal, para que toda cadeia de pesquisa, produção, refino, logística de petróleo e derivados seja de uma Petrobrás 100% estatal, administrada democraticamente por nós trabalhadores junto a ambientalistas e outros especialistas eleitos em universidades públicas. A luta dos trabalhadores também precisa ser uma luta ambiental e necessariamente contra o imperialismo e o capitalismo.